Mário Lúcio apresenta novo álbum hoje no B.leza
O nono álbum da carreira busca as suas raízes rítmicas na África Continental, mas também lembra as músicas da diáspora africana no Caribe, do ska e do reggae às subtilezas da música cubana. Tudo isto aliado à criação de ambientes sonoros das ilhas, com vozes à capela com ascendência polifónica, numa prodigiosa “imitação” da gaita e do baixo.
“Este disco é a minha memória do funaná, o meu percurso desde a minha infância no Tarrafal até aos bairros de Coqueiro, Castelão e Achada Mato, onde hoje moro, autênticos laboratórios das novas músicas. É a minha homenagem. Salvem todos os que me antecederam.”
Neste novo repertório, que apresenta hoje no B.leza, Mário Lúcio selecionou músicos da África do Sul, de Cuba e do Brasil, além dos melhores de Cabo Verde para gravar com ele. Participam no álbum a moçambicana Wanda Baloyi, a sul-africana Judith Sephuma e o rei do funaná Zeca Nha Reinalda, para além de uma panóplia de brasileiros que incluem Leo Gandelman, Serginho Trombone, Dudú Farias, Enzo Filho, Rafael Meninão, entre outros.
“Lembro-me da primeira vez que ouvi o som do acordeão, com seis anos, na minha aldeia natal, Monte Iria, em Tarrafal, norte da ilha de Santiago. O tocador era um senhor chamado Vér de Txota, que viria a ser meu professor desse instrumento. Parecia uma orquestra de arco-íris.
O fascínio apoderou-se de mim. Apenas uns anos mais tarde, aconteceram duas revoluções, a independência de Cabo Verde, em 1975, e a adaptação do funaná aos instrumentos elétricos e eletrónicos, em 1978.”
Músico, artista plástico, dramaturgo, poeta e escritor cabo-verdiano, Mário Lúcio surpreende com uma inesperada versão de “Who the Cap Fit”, de Bob Marley, e nos riffs de guitarra com distorção na versão “rock metal” do tema tradicional “Nandinha”.
Fonte: Sapo