Talentos locais de Macau triunfam na 1.ª Competição de Arte Visual “BD-Macau”「澳門本地原創漫畫」視覺藝術比賽
Concurso bianual da Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa premiou obras originais que celebram a identidade cultural da cidade, destacando a fusão sino-lusófona.
Nesta primeira iniciativa da Somos – ACLP destinada exclusivamente a residentes locais e dedicada à “nona arte”, como é conhecida a banda desenhadada, a associação pretendeu apoiar o desenvolvimento criativo na área do desenho e ilustração e impulsionar o surgimento de mais obras locais nesta expressão artística.
O concurso, de carácter bianual e direcionado a jovens dos 15 aos 25 anos, desafiou os participantes a criar narrativas visuais originais, com um mínimo de quatro pranchas, cujas histórias se desenrolassem em Macau, destacando as suas especificidades socioculturais, paisagem urbana e utilizando uma das línguas oficiais (Chinês ou Português).
Foram recebidas cerca de uma dezena de candidaturas, das quais quatro cumpriram integralmente todos os critérios estipulados. O júri, composto pelo presidente da Hyper Comic Society, Wesley Chan e pelo reconhecido cartoonista residente em Macau, Rodrigo de Matos, e pela representante da Somos – ACLP, Natacha Fidalgo, selecionou os três trabalhos premiados.
Os Vencedores:
1.º Prémio, no valor de 7.000 MOP, coube ao jovem de 25 anos, Tse Wai Sam, com a obra “O Último Passo de Dança”. A banda desenhada evoca o “icónico conjunto da Vila da Taipa (龍環葡韻), retratando, através da dança solitária de um idoso português, a fusão cultural e a memória afetiva na transformação urbana”. Segundo o autor, a dança “simboliza a tradição e a lembrança”, enquanto as luzes da cidade “representam a modernidade, criando em conjunto o ritmo único de Macau — entre a nostalgia e o renascimento”.
2.º Prémio, no valor de 4.000 MOP, foi para a prancha de Ng Ka Iam, com o titulo “Um Dia do Gato do Barra”. A sua banda desenhada desenrola-se no ambiente em Macau e regista as histórias dos visitantes através da perspectiva de um gato que vive no Templo A-Má. A habilidade “única do gato” permite-lhe ver o passado de cada visitante, apresentando as “experiências e emoções entrelaçadas de diferentes personagens em Macau”. A obra de Ng Ka Iam de 15 anos, retrata momentos desde os primeiros emigrantes até à transformação moderna, mostrando o encanto “único de Macau como um local de fusão cultural, ao mesmo tempo que explora o sentimento de pertença e as memórias dos indivíduos face às mudanças da cidade”.
3.º Prémio no valor de 2.000 MOP, coube ao trabalho “A-Muk e o Sapo – Capítulo de Macau”. Esta banda desenhada, da autoria de Tam Hio Tong, descreve a jornada calorosa de meio-dia do protagonista “A-Muk” e de um pequeno sapo por Macau. O autor, de 17 anos, tece habilmente na narrativa a carne de Vaca Seca da Ruínas de São Paulo, o gelado de coco da Rua dos Ervanários, e até a cultura única das motocicletas de Macau. Esta criação, a partir da perspectiva de um adolescente, “prova que as características culturais de Macau já estão profundamente enraizadas, também, no quotidiano da nova geração”.
Paralelamente ao concurso, foi organizado um workshop de banda desenhada, ministrado pelos jurados Wesley Chan e Rodrigo de Matos, que permitiu aos participantes aprender ou consolidar técnicas de desenho, criação de personagens e desenvolvimento narrativa.
Celebrar Macau e o Seu Património Único
Com esta competição, a Somos – ACLP pretende celebrar Macau, a sua riqueza arquitetónica e histórica, enquanto local de confluência cultural e base sino-lusófona. Apesar do número de participantes ter indo inferior ao expetável “A adesão foi positiva, considerando ser a edição inaugural. Conseguimos chegar ao público chinês, o que tem sido uma das nossas grandes batalhas nas iniciativas que temos levado a cabo”, afirmou a organização.
Perspetivas Futuras e Incentivo à Criação
Marta Pereira, presidente da direção da Somos – ACLP, acredita existir num mercado em “expansão em Macau, mas provavelmente ainda com poucas oportunidades. A ideia é apostar num melhor marketing e promoção na próxima edição. Julgo que a tendência é de crescimento”. Deixando ainda uma mensagem a todos os amantes do género, incentivou: “Desenhem e apresentem-nos as vossas pranchas sempre que puderem.”
Quanto ao futuro, Marta Pereira adiantou: “Na próxima edição vamos repensar o conceito, talvez envolvendo outras associações locais dedicadas à arte, e/ou convidar artistas asiáticos e de outros países, vamos ver.”
Os trabalhos vencedores podem ser consultados na página oficial da Somos! em: https://somosportugues.com/

