Centro em Luanda recorda “viagem filosófica” pela Amazónia de explorador luso-brasileiro

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Centro em Luanda recorda “viagem filosófica” pela Amazónia de explorador luso-brasileiro

A “viagem filosófica” que o naturalista luso-brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira empreendeu à Amazónia no século XVIII é recordada pelo Centro Cultural Brasil-Angola, em Luanda, levando os visitantes pelos caminhos da expedição que durou quase uma década.

O responsável do setor cultural da embaixada brasileira em Angola, Sérgio Toledo, explicou  que o objetivo da exposição foi reabrir, de forma virtual, o Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA), desde março encerrado ao público por causa da covid-19, contando a história de uma das primeiras expedições científicas à Amazónia, durante a qual foram recolhidos 23 mil artigos, posteriormente catalogados em Portugal.

A expedição, financiada pela Coroa portuguesa, aconteceu numa altura em que o Brasil sofria incursões de outras potências na então colónia, sobretudo dos ingleses, importando por isso mapear o território e aumentar o conhecimento científico, explicou à Lusa o curador da exposição, o artista plástico Klaus Novais.

Esta não foi a única das “viagens filosóficas”, ordenadas pela rainha D. Maria I, que enviou também missões a Angola, Moçambique, Goa e Cabo Verde.

Nascido em Salvador, Bahia, em 27 de abril de 1756, Alexandre Rodrigues Ferreira, filho de comerciantes portugueses, formou-se em Coimbra na Faculdade de Filosofia Natural e foi o escolhido para empreender a “viagem filosófica” que saiu da Ilha de Marajó (Pará) em 21 de outubro de 1783 e chegou a Cuiabá (Mato Grosso) nove anos depois.

Durante esse período, o naturalista, acompanhado de dois ‘riscadores’, como eram apelidados os desenhadores da altura, e um jardineiro botânico, percorreu todo o rio Amazonas, chegou à fronteira da Venezuela e do Peru, tendo recolhido mais de 23 mil peças que foram posteriormente transportadas para Portugal para serem catalogadas.

A coleção incluía animais embalsamados, amostras de plantas e sementes, minerais, artefactos indígenas e armas e ilustrações e gravuras que retratam a realidade amazónica no século das Luzes.

De regresso a Portugal, Alexandre Rodrigues Ferreira instalou-se no Palácio da Ajuda e passou anos a catalogar a coleção que, no entanto, nunca recebeu o devido reconhecimento e ficou semi-esquecida.

“O espólio ficou disperso”, adianta Klaus Novais. Parte ficou em Portugal, parte foi levada para o Brasil, onde a Corte portuguesa encontrou refúgio das tropas napoleónicas a partir de 1808, e outras peças encontram-se em França.

O curador assinala que, embora o principal objetivo fosse aumentar o conhecimento sobre a geografia, a fauna e a flora, Alexandre Rodrigues Ferreira acabou por fazer também um retrato antropológico dos povos indígenas e regressou a Portugal “muito sensibilizado” pela sua vivência de quase uma década na selva.

Da exibição fazem parte ilustrações e gravuras que mostram em detalhe a fauna e a flora local, paisagens, aldeias e a cultura dos povos indígenas no olhar dos desenhadores que acompanharam Alexandre Rodrigues Ferreira.

A Fundação Biblioteca Nacional detém as obras em acervo digital, tendo publicado na década de 1970 as reproduções que fazem parte do acervo do CCBA e são expostas pela primeira vez na instituição.

A iniciativa marca também os cinco anos do CCBA na nova sede, um edifício reabilitado datado do início do século XX que foi anteriormente o Grande Hotel de Luanda.

A exposição que foi inaugurada em 07 de setembro, dia da Independência do Brasil, vai ficar ‘online’ pelo menos um mês e migrar depois para o portal onde são disponibilizados os acervos dos vários centros culturais.

Fonte: Lusa

Por | 2020-09-16T05:48:23+00:00 16 de Setembro de 2020|Categorias: Arte|, |0 Comentários

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