Governo timorense lança concurso para monumento ao massacre de Santa Cruz

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Governo timorense lança concurso para monumento ao massacre de Santa Cruz

O Governo timorense lançou o concurso para a construção de um movimento em memória do massacre de Santa de Cruz, de 12 de novembro de 1991, que vai ser edificado no Cemitério de Santa Cruz, em Díli.

O projeto, que inclui preparação, instalação e construção do monumento, não detalha o valor da obra, mas explica que só podem concorrer empresas com experiências em dois contratos idênticos no valor estimado de um milhão de dólares cada.

Criado pelo estúdio timorenses Fihir Design e Arquitetura – num projeto dos arquitetos Flávio Miranda e Tiago Guterres e com o gestor Fernando Soares -, o projeto começou a ser pensado há vários anos para coincidir com os 20 anos do massacre, mas o concurso só agora foi lançado pelo Ministério dos Antigos Combatentes da Libertação Nacional, devendo as empresas interessadas apresentar propostas até 07 de setembro.

A 12 de novembro de 1991 realizou-se uma missa e cerimónia em homenagem de Sebastião Gomes, morto por elementos ligados às forças indonésias uns dias antes no bairro de Motael, e milhares de pessoas dirigiram-se até ao cemitério de Santa Cruz.

Durante o percurso alguns abriram cartazes e faixas de protesto. As forças indonésias responderam com extrema violência, matando mais de 250 pessoas.

As imagens do massacre de Santa Cruz, recolhidas pelo jornalista inglês Max Stahl e que, para muitos marcaram um momento de viragem na questão de Timor-Leste saíram de Díli, dois dias mais tarde, a 14 de novembro de 1991, graças à intervenção da holandesa Saskia Kouwenberg, que escondeu a cassete numa ‘bolsa’ improvisada entre duas cuecas cosidas uma à outra, conforme contou à agência Lusa.

Segundo dados facultados à Lusa pelos responsáveis do projeto, trata-se de criar no local “um conjunto escultórico representativo e de memória de todos aqueles que perderam as suas vidas na luta pela libertação do povo timorense da opressão indonésia em território nacional”.

O objetivo da equipa da Fihir é construir um monumento que capture vários dos momentos do massacre de 1991, registados nas imagens de Max Stall, com um “conjunto escultórico que transmita de forma simples o momento vivido (luta, movimento, velocidade, pânico, cardíaco, fôlego, sangue, morte, esperança de um povo pela sua liberdade”.

Engloba ainda um conjunto escultórico com alturas variadas que poderão atingir os 2.3 m de altura, em que se representam pessoas “sem caras de forma a representar todos os timorenses sem exceção”.

Estas esculturas em bronze estarão assentes numa estrutura em betão armado, revestido com painel de mármore branco de dimensões várias.

A cinco metros da entrada principal vai ser feito um painel de bronze, encastrado no pavimento, que “representa o momento em que os militares indonésios começaram a disparar contra os jovens manifestantes gerando pânico no portão principal de acesso ao interior do Cemitério de Santa Cruz.

Já no interior do cemitério irá ser criado também um conjunto escultórico, em mármore proveniente das pedreiras de Manatuto e esculpidas em Timor-Leste.

“Estas esculturais estão dispostas ao longo do percurso entre a entrada principal e a Capela de Pai Nosso encenando o dia em que centenas de jovens correram pelas suas vidas”, explica o documento do projeto.

Fonte: Lusa

Por | 2020-08-04T04:45:23+00:00 4 de Agosto de 2020|Categorias: Sociedade||0 Comentários

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