Moçambique Yethu: um repúdio ao terror em Cabo Delgado

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Moçambique Yethu: um repúdio ao terror em Cabo Delgado

Banda Ikwazuni lançou ontem, 24 de agosto, o seu álbum de estreia, na cidade de Maputo. O disco é composto por 12 músicas e é inspirado no drama causado pelo terrorismo em Cabo Delgado. Com o mesmo, a banda manifesta um repúdio contra terroristas e apela à solidariedade para com os deslocados naquela província

Num dia desses, Fernando Bila saiu de casa para ir comprar pão na padaria. Durante o percurso, o guitarrista passou por 30 crianças famintas que disputavam um pouco de xima e molho de feijão num único prato. Uma agitação desconfortável para qualquer adulto… Muitas dessas crianças deixaram para trás o seu lar, em Mocímboa de Praia, e, acompanhadas pelos pais ou já sem eles, foram aprender a sobreviver em Nanhimbe, zona que acolhe vários deslocados do terrorismo, nos arredores da cidade de Pemba.

Situações como a que foi vivenciada pelo guitarrista fizeram com que a Banda Ikwazuni, fundada em 2002, em Cabo Delgado, resolvesse intervir, de modo que despertassem nos moçambicanos do país inteiro e na comunidade internacional uma onda de solidariedade a favor de tanta gente que, já sem lar, enfrentam a fome e um perigo enorme: Coronavírus.

Na verdade, foi da dor de deslocados moçambicanos que surgiu a ideia de os integrantes da banda usarem a arte musical para clamar pela paz, “porque a música é um veículo que atinge as almas das pessoas muito rapidamente”, disse Fernando Bila, lembrando que o disco possui músicas em emakhuwa, kinwali e shimakonde, justamente para atingir o maior número de pessoas, afinal todas essas três línguas são faladas na província onde vivem.

“Com este álbum nós quisemos sensibilizar as pessoas, sobretudo aos jovens, para que não façam más coisas”, realçou o vocalista da banda, Yahaya Atanásio, no lançamento do disco Moçambique Yethu (Stop violência extremista), esta segunda-feira, na cidade de Maputo. “Quisemos fazer algo que fosse útil e positivo, chamando atenção para que os jovens não adiram à violência e a actos que, amanhã, possam ser irreversíveis”, acrescentou Sérgio Mahumane, baixista de Ikwazuni.

Seleccionados 12 músicas para o álbum de estreia, sem condições para o publicar, a Banda Ikwazuni precisou de apoio financeiro. E é aqui onde entra a Masc: “o grupo Ikwazuni já tinha a ideia de criar músicas que apelam à ideia da preservação da paz e à coesão social. Então a Fundação Masc apoiou os músicos a lançarem as faixas musicais, a produzir e a lançarem o CD.

O nosso envolvimento aparece porque nós temos um pilar que é construção da paz e da coesão social, através do qual apoiamos várias iniciativas de sensibilização para o fim do radicalismo no Norte de Moçambique”, explicou a representante da instituição, Aquílcia Joaquim.

De igual modo, com Moçambique Yethu (Stop violência extremista) a Banda Ikwazuni pretende reflectir a sua perspectiva em relação a um território.

O disco é um manifesto a favor da liberdade, do bem-estar da população que perdeu o pouco que tinha e que agora precisa tanto do que cada moçambicano pode dar. Lançado o disco, doravante, o compromisso é disseminar a mensagem das músicas, claro, a partir das comunidades de Cabo Delgado.

Fonte: O País

Por | 2020-08-25T06:20:19+00:00 25 de Agosto de 2020|Categorias: Arte, Cultura||0 Comentários

Sobre o autor:

Marta Pereira
Marta Pereira é licenciada em Ciências da Comunicação - Jornalismo - na Universidade da Beira Interior, Covilhã, cidade onde nasceu. Actualmente, frequenta o Mestrado em Estudos Lusófonos na mesma instituição. É produtora de rádio em Macau e jornalista em Portugal....
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