Museu Nacional do Rio de Janeiro ergue-se lentamente um ano após incêndio

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Museu Nacional do Rio de Janeiro ergue-se lentamente um ano após incêndio

O acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, no Brasil, destruído quase na totalidade há precisamente um ano por um incêndio de grandes proporções, está a ser reconstruído lentamente através de doações e trabalhos de resgate.

Completou um ano desde que um incêndio destruiu praticamente todo o património histórico, científico e cultural do Museu Nacional, o espaço museológico mais antigo e um dos mais importantes do Brasil, e que foi fundado pelo rei D. João VI, de Portugal, em 06 de junho de 1818.

Entre as peças do museu estavam a coleção egípcia, que começou a ser adquirida pelo imperador Pedro I, e o mais antigo fóssil humano encontrado no país, batizado de “Luzia”, com cerca de 11.000 anos, e que acabou por ser recuperado dos destroços apenas com alguns danos.

Um diário da imperatriz Leopoldina e um trono do Reino de Daomé, oferecido em 1811 ao príncipe regente português João VI, encontravam-se entre os artigos que retratavam os 200 anos de História brasileira, mas não foram encontrados.

Dos mais de 20 milhões de artigos que compunham o acervo do museu, até março foram recuperados cerca de 1.500, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

“Estamos a atuar agora nos esqueletos humanos, que resistem bem ao calor. Nós resgatámos materiais da nossa coleção de paleovertebrados, não só os dinossauros, mas também de diversos mamíferos (…). [Há coleções] que pela localização não foram destruídas no incêndio. Isso é uma notícia maravilhosa”, disse a investigadora de Paleontologia do Museu Nacional Luciana Carvalho, citada pela agência Brasil.

O diretor do museu, Alexander Kellner, informou que várias doações para recompor o acervo científico e de pesquisa do espaço cultural já foram prometidas e entregues.

“Na entomologia nós tivemos 20 doações, de mais ou menos 23 mil itens. Esta foi, certamente, uma das áreas que mais sofreu. Em vertebrados, foram mais de 500 espécimes de diversas áreas do Brasil que foram doados”, declarou Kellner, explicando que bens apreendidos pela Reserva Federal ligados à geologia e paleontologia foram destinados ao museu.

“Eu faço um apelo público para que continue assim: se houver bens apreendidos, que sejam revertidos para a instituição Museu Nacional”, acrescentou o diretor.

A Biblioteca Francisca Keller, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que é responsável pela administração do museu, tinha no seu acervo 37 mil documentos e livros quando foi totalmente incinerada no ano passado. Contudo, as doações estão a ajudar a reconstruir o espaço.

“A Biblioteca Francisca Keller tem mais ou menos 10.500 volumes [literários] que já foram doados e que já foram recebidos, e outros oito mil a caminho. Desses, vamos receber de França aproximadamente 700 quilogramas [de material literário]”, afirmou Alexander Kellner.

A reitoria da UFRJ anunciou na semana passada que o Museu Nacional deverá reabrir parcialmente em 2022, por ocasião do bicentenário da independência do Brasil, e que as obras de reconstrução da fachada do imóvel histórico devem começar ainda este mês.

“Pretendemos em 2022 inaugurar uma parte do palácio com exposições que vão festejar o bicentenário da independência brasileira. Já no próximo ano [queremos] reinaugurar a parte administrativa e académica do Museu Nacional para melhorar a infraestrutura de ensino e investigação”, afirmou a reitora da UFRJ, Denise Pires, à imprensa.

Segundo Denise Pires, a instituição tem 68 milhões de reais (15 milhões de euros) para obras na instituição.

Fonte: Lusa

Por | 2019-09-03T05:15:10+00:00 3 de Setembro de 2019|Categorias: Arte, Cultura||0 Comentários

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