Setor de Bigene: Horticultoras de Tande produzem pimenta para abastecer mercados em Bissau e Ziguinchor

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Setor de Bigene: Horticultoras de Tande produzem pimenta para abastecer mercados em Bissau e Ziguinchor

As mulheres horticultoras da aldeia de Tande, uma secção de setor de Bigene, região de Cacheu no norte da Guiné-Bissau, transformaram aquela aldeia num grande centro de produção da pimenta verde que é vendido a grupos de mulheres vendedeiras da capital Bissau e de outras cidades do país, como também para as de Ziguinchor, região de Casamança no sul do Senegal. Pimenta é da espécie “Capsicum annuum”, muito utilizado na culinária em todo o mundo.

A secção de Tande é constituída por oito aldeias que no total constituem um aglomerado populacional de mais de mil habitantes. A semelhança de outras aldeias da Guiné-Bissau, enfrenta enormes problemas sociais, desde a falta de um troço de estrada em condições que permita a evacuação dos produtos cultivados naquela aldeia bem como a circulação normal de pessoas e bens.

ONG SOGUIBA APOIA MULHERES DA SECÇÃO DE TANDE NA PRODUÇÃO DE PIMENTA

A aldeia de Tande tem apenas um furo de água potável para toda a população, mas não dispõe de nenhum posto de saúde para, pelo menos, prestar os primeiros socorros aos utentes. A maior parte dos seus habitantes, em particular as mulheres, são horticultoras e trabalham diariamente na produção de pimenta, registando a maior produção na época da chuva.

As mulheres horticultoras das diferentes aldeias que constituem a secção e de outras aldeias beneficiam do apoio da Organização Não Governamental Espanhola – Solidariedade para com a Guiné-Bissau (SOGUIBA) que assiste as horticultoras em materiais para a vedação do espaço bem como em sementes e instrumentos para cultivo.

A SOGUIBA intervém em diferentes áreas, desde a horticultura e agricultura à educação, através de apoios na construção de escolas e ofertas de materiais didáticos às escolas bem como a formação de mulheres para a confeção de rendas.

As mulheres trabalham em conjunto no cultivo da pimenta e na recolha dos mesmos, mas cada uma vende o produto para benefício próprio, apenas disponibilizando uma soma de seis mil francos cfa como contribuição para a compra de inseticidas e de outros materiais necessários ao cultivo da pimenta.

Uma mulher abordada pela repórter confirmou que trabalha naquele campo faz quatro anos e que consegue para já resolver os problemas de sobrevivência da sua família com o dinheiro que ganha da venda das pimentas.

A repórter constatou no terreno um grupo de mulheres a venderem a pimenta num mercado improvisado sob um mangueiro junto de uma casa particular. Vendia-se também a pimenta em baldes e outras amontoadas no chão sob sacos plásticos. Vendiam cinco pimentas a cem (100) francos cfa.

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO REVELA QUE CEM MULHERES TRABALHAM NO PROJETO HORTÍCOLA

O presidente da Associação dos Filhos e Amigos de Tande, Aruna Nuanco, explicou na entrevista à repórter que o campo onde as mulheres exercem as suas atividades hortícolas tem uma área de dois hectares vedados, graças a um projeto desenvolvido pela ONG SOGUIBA. Contudo frisou que os arrames utilizados para a vedação dos campos estão danificados e que agora cada mulher é obrigada a procurar varas para vedar a sua parcela.

Nuanco, que preside a associação com mais de 650 membros inscritos, disse que as pimentas produzidas na sua terra são comercializadas na capital Bissau e parte é vendida nas feiras populares de Ingoré e Bula.

“As mulheres vendedeiras saem de Bissau e vêm até a nossa aldeia a procura da pimenta, mas antes de partirem da capital entram em contacto connosco por telefone para fazerem as suas encomendas. Isso permite que as produtoras façam a colheita normal e assim que chegam vão pegar e voltar para Bissau. As senegalesas de Ziguinchor vêm também a procura da pimenta para irem revender, espelhou.

Contou a repórter que mais de cem mulheres têm participado ativamente no projeto, explicando que a horticultura é uma atividade comum das mulheres da sua aldeia e que algumas têm suas hortas em casa. Lamentou, no entanto, a falta de meios para alargar a produção e para o escoamento do produto.

Aruna Nuanco informou que a aldeia dispõe de um centro hospitalar construído pela comunidade local, mas que devido a falta de materiais e de pessoal não está a funcionar. Acrescentou que os habitantes, em caso de problemas de saúde, deslocam-se ao centro de saúde de Ingoré.

ASSOCIAÇÃO ENALTECE APOIO DA ONG SOGUIBA NA CONSTRUÇÃO DE UMA ESCOLA

Aruna Nuanco realçou o trabalho e o apoio que a organização espanhola SOGUIBA tem prestado à população daquela zona em diferentes áreas, tendo assegurado que, com o apoio da SOGUIBA, a comunidade conseguiu construir um pavilhão de quatro salas de aulas.

Sublinhou que as quatro salas de aulas construídas não são suficientes tendo em conta o número de crianças na aldeia e nas tabancas arredores que se inscreveram naquela escola. Adiantou ainda que devido à falta de escola obriga-os a colocar em cada uma das salas mais de 50 alunos por período, como forma de inscrever maior número de crianças.

A escola funciona em dois períodos de manhã e à tarde, de 1ª classe e até a 4ª classe, como ensino básico. Este ano conseguiram aumentar de 5ª classe ao nono ano de escolaridade (9ª classe), a fim de poderem inscrever as que concluíram a 4ª classe e que não têm como prosseguir os estudos nas grandes cidades do país, observou.

Relativamente à questão do roubo de gado e outros animais, disse que o chefe de tabanca em colaboração com os responsáveis da associação ajudaram na resolução de vários problemas bem como na mediação de pequenos conflitos devido à ausência de uma entidade estatal (forças de segurança) que tenha o papel de manter a segurança a população.

Nuanco explicou à repórter que a cada ano a sua organização reúne os seus associados com o intuito de traçar grandes projetos e atividades em diferentes domínios e os que devem ser tidos como a prioridade para a aldeia, de acordo com as suas necessidades. Adiantou, no entanto, que este ano a sua organização perspetiva construir uma pequena ponte de madeira que vai ligar a aldeia de Tande à tabanca de Barraca. Justificou que a falta de uma ponte tem dificultado muito a população local como também afeta a produção de arroz nas bolanhas.

O funcionamento da ponte improvisada facilitará a ligação entre as aldeias e permitirá o estabelecimento do comércio entre as aldeias através de feiras populares organizadas pela associação, de forma a permitir trocas e vendas de produtos cultivados localmente, contou o jovem.

Avançou ainda que a sua organização improvisou um mercado local que permite às populações vender os seus produtos localmente para evitar a deslocação até a pequena cidade de Ingoré, onde encontram grandes dificuldades.

Relativamente ao problema da água salgada que afeta as bolanhas devido a danificação dos diques que impedem a entrada de água, disse que a comunidade está a trabalhar intensamente para a recuperação dos diques e consequentemente proteger as bolanhas de água salgada. Contudo, apelou à intervenção das autoridades bem como das organizações não governamentais no sentido de ajudá-los na recuperação das bolanhas como também no apoio em sementes e materiais para aumentar a produção.

Reportagem: O Democrata

Por | 2019-04-15T07:22:59+00:00 15 de Abril de 2019|Categorias: Sociedade||0 Comentários

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