Tertúlia recorda ligações comerciais entre Macau e Goa

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Tertúlia recorda ligações comerciais entre Macau e Goa

“Ligar os goeses com o mundo” tem sido, nos últimos anos, o grande projeto de vida de Nalini Elvino de Sousa, organizadora da exposição fotográfica “Viagem Oriental”, inaugurada este domingo (14 de outubro) em Macau, pela Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa, em parceria com o Núcleo de Animação Cultural de Goa, Damão e Diu. A realizadora, nascida em Portugal mas de origem goesa, vem realizando trabalhos que evidenciam a ligação entre as duas regiões.

Exemplo disso é justamente a exposição “Viagem Oriental” que traz, ao Jardim do Lou Lim Ioc, 20 fotografias do livro homónimo, apresentado em 2016 na Escola Portuguesa de Macau, de peças decorativas enviadas de Macau, muitas “em contentores”, para Goa. Com o livro, que partiu de um concurso fotográfico, Nalini Elvino de Sousa procurou desafiar “os jovens a redescobrirem a ligação” entre essas cidades. Várias peças de porcelana e traços chineses ainda hoje habitam as casas senhoriais goesas e comprovam os séculos de intenso intercâmbio cultural e comercial entre Macau e Goa.

A inauguração da exposição fotográfica “Viagem Oriental”, no Pavilhão Chun Chou Tong, ficou marcada pela pequena atuação do grupo goês “Estrelas”, que se encontra em Macau para participar no 21º Festival da Lusofonia. De seguida, deu-se início à tertúlia sobre as ligações entre Goa e Macau, com Nalini Elvino de Sousa a recordar que as regiões partilham uma história com mais de 500 anos, muito por causa da rota da Nau do Trato, que circulou durante um século, entre Goa, Malaca, Macau e o Japão. “Partia de Goa, parava em Macau para sedas chinesas e seguia para o Japão onde as trocava por prata”, resumiu.

 

Fotografia: António Duarte Mil-Homens

No âmbito dessas relações comerciais, a realizadora falou de algumas personalidades ligadas a Goa que tiveram muita influência na história de Macau, como Manuel Tavares Bocarro que chegou a este lado do mundo, no século XVII, a partir dessa região indiana, onde aprendera a arte fundição de artilharia de bronze com o seu pai, tendo ficado conhecido especialmente pela criação de canhões.

A responsável indicou igualmente que “uma ou duas lojas se dedicaram, na altura, mais a sério ao comércio de porcelanas e outros objetos chineses”, no entanto, agora só existe uma, a “Casa Macaõ”. E acrescentou que, durante décadas, reinava a tradição na região indiana de se oferecerem “baús e tecidos chineses” como prendas de natal.

Por forma a aproximar as duas regiões, Nalini Elvino de Sousa tem em mente mais projetos culturais, a desenvolver em parceria com entidades e  autoridades locais: um livro escrito e ilustrado a várias mãos por crianças das duas regiões e de Portugal; e uma competição em português na televisão para alunos desses três locais. Segundo a realizadora existem, hoje em dia, 900 estudantes de língua portuguesa em Goa.

A exposição fotográfica “Viagem Oriental” está patente no Pavilhão Chun Chou Tong, do Jardim do Lou Lim Iok, até 18 de outubro (quinta-feira). Nalini Elvino de Sousa vive em Goa há 19 anos e já realizou, apresentou e produziu mais de 100 documentários. Produz também curtas-metragens e outros documentários através da sua produtora Lotus Film & TV Production e dirige igualmente a ONG Communicare Trust que ensina a comunicar em diversas línguas, incluindo a portuguesa.

Por | 2018-10-16T07:18:30+00:00 16 de Outubro de 2018|Categorias: Cultura|, |0 Comentários

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